Análise nos EUA aponta melhora nos resultados do transplante uterino
Uma análise de 60 transplantes uterinos realizados nos Estados Unidos entre 2016 e 2025 encontrou 48 nascimentos e melhora nos resultados cirúrgicos. A gestação após o procedimento, porém, continuou associada a prematuridade e complicações obstétricas.
Por que importa · interpretação editorial
A análise reúne resultados de transplantes uterinos realizados nos Estados Unidos e sugere melhora nas complicações entre doadoras vivas ao longo do período estudado. Apesar dos nascimentos registrados, a gestação após o transplante foi descrita como complexa, com prematuridade e outras complicações relativamente comuns.
Uma análise publicada na revista Obstetrics & Gynecology reuniu resultados de 60 transplantes uterinos realizados entre 2016 e 2025 nos quatro centros dos Estados Unidos que ofereciam o procedimento. Segundo os pesquisadores da Perelman School of Medicine at the University of Pennsylvania, 70% das receptoras tiveram ao menos um nascimento com vida ou permaneciam grávidas após 20 semanas quando a análise terminou. Ao todo, nasceram 48 bebês, e nove receptoras tiveram dois filhos. A maioria das participantes tinha síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), uma condição congênita em que o útero não se desenvolve, ou havia passado por histerectomia ou tinha um útero incapaz de sustentar a gestação.
Dos 60 órgãos transplantados, 51 sobreviveram além dos primeiros 30 dias. Entre as doadoras vivas, complicações importantes que exigiram intervenção adicional caíram de 33% em 2016–2017 para 8% em 2024–2025, segundo o estudo; não houve morte nem complicação com risco de vida relacionada ao procedimento. Ainda assim, mais da metade dos bebês nasceu prematuramente, e pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e hipertensão foram relativamente comuns. A análise também registrou que o transplante pode permitir mais de uma gestação antes da retirada do órgão, mas descreveu a gravidez como complexa.
Fontes: News-Medical, Medical Xpress